10 AÑOS DE EXPERIENCIA ACOMPAÑANDO A INVERSIONISTAS

DEL MUNTO ENTERO EN LA CONCEPCIÓN, IMPLEMENTACIÓN Y

OPERACIÓN DE SUS PROYECTOS DE NEGOCIOS EN CHINA

BRASIL DO CONSUMO VERSUS CHINA DO INVESTIMENTO

O que aconteceu de diferente, nas últimas décadas, para que a China (bastante mais pobre), superasse o Brasil em apenas 36 anos, se tornando uma potência mundial?

Evidentemente, as diferenças são amplas e significativas. Resumindo e de forma muito sintética pode falar-se de dois modelos: o Japão, Coreia do Sul e China adotaram o modelo de “promoção das exportações” (export-led growth), enquanto o Brasil e a América Latina adotaram o modelo da “substituição de importações”

O desafio da China, no final da década de 1970, era superar o isolamento, o atraso tecnológico, a pobreza e a baixa produtividade. O país precisava aumentar os investimentos para renovar a economia e incorporar o desenvolvimento tecnológico. Mas o mercado interno era muito pequeno (como proporção do PIB) e o baixo poder de consumo da maioria da população não permitia que o mercado interno sustentasse altas taxas de crescimento econômico e de absorção de mão de obra.

A opção foi adotar o modelo “export-led growth”, fazendo a economia crescer (criando empregos em abundância) de maneira competitiva para conquistar os mercados internacionais. A China não precisa proteger o mercado interno, pois a população não tinha poder de consumo, além disto o país manteve baixo o consumo, como proporção do PIB, e manteve o investimento alto (como proporção do PIB). Isto foi possível devido aos altos níveis de poupança das famílias, das empresas e do governo.

Entre a Revolução Comunista (1949) e a morte de Mao Tse-tung (1976), a China tinha uma percentagem de somente 1% no comércio internacional. Mas a partir das Reformas promovidas por Deng Xiaoping, no final dos anos de 1970, a conquista de mercados externos disparou e a presença chinesa nas exportações mundiais chegou à impressionante cifra de 14%, em 2015 (contra 9% dos EUA).

A China colocou o mercado externo na frente do mercado interno e fortaleceu os dois. Ela se abriu para o mundo, mas manteve uma inserção soberana no processo de globalização. Fechar a economia para crescer via mercado interno, como propõem certas tendências brasileiras é repetir uma rota que já se mostrou equivocada. Nenhum país consegue se atualizar tecnologicamente e competitivamente sem se expor à concorrência do resto do mundo

Dentro desta estratégia geral de “export-led growth”, a China manteve sua moeda desvalorizada (taxa de câmbio competitiva), baixa taxa de juros interna, baixa carga tributária, baixa taxa de inflação, baixo nível de endividamento público e grande incentivo aos negócios e ao empreendedorismo. Houve também investimentos significativos em saúde e educação básica e de qualidade. A mortalidade infantil na China era menor do que no Brasil mesmo quando a renda per capita chinesa era muito menor do que a brasileira. A educação melhorou não somente em termos quantitativos, mas também em termos qualitativos. Os alunos chineses são incentivados a estudar matemática e ciências, com pouco tempo gasto em academicismo e juridiscismo. O resultado é uma população economicamente ativa capaz de sustentar uma sociedade industrial e cada vez mais avançada tecnologicamente.

O lado negativo é que todo este crescimento econômico gerou uma grande degradação ambiental e uma grande poluição nas cidades. Em dezembro de 2016, o norte da China passou pelo pior momento de poluição atmosférica do ano. A nuvem tóxica atingiu quase um sexto do território do país, cerca de 1,4 milhão de metros quadrados. Neles vivem 460 milhões de pessoas, que tentam driblar como podem tanto o risco de respirar esse ar de péssima qualidade quanto as limitações derivadas do alerta vermelho.

Mas até neste ponto a solução tem sido o aumento das taxas de investimento em energias alternativas e na produção de carros elétricos. A China já é líder disparada na produção de energia renovável.

O Brasil seguiu o caminho oposto. Enquanto o consumo na China tem permanecido abaixo de 50% do PIB, no Brasil ele fica acima de 80%. Ao proteger o mercado interno, para possibilitar a substituição de importações, o Brasil tem-se distanciado dos padrões produtivos internacionais, perdido competitividade global e tem que pagar mais caro pela produção interna. O Brasil nunca conseguiu elevar suas taxas de poupança internas. Assim, manteve sempre baixas taxas de investimento e alta dependência de capital externo (poupança externa). Baixas taxas de investimento significam baixa incorporação de capital humano e de tecnologia. Significa baixa produtividade e baixa competitividade. Significa que a produção cresce de forma anêmica. Desde 1985, o Brasil tem crescido menos do que a média da economia internacional.

O fato é que Brasil e China estão em polos opostos. Existem muitas diferenças entre os dois países, mas o fator fundamental que diferencia essas duas grandes nações é que a China privilegia o investimento antes do consumo e o Brasil está profundamente viciado no consumo antecipado, em vez de garantir o aumento do investimento.

Será este o momento para o Brasil começar a priorizar o investimento de qualidade e mudar a maneira como lida com a economia? Será certo que “O Brasil tem de se reinventar para ser bem-sucedido em uma economia mundial radicalmente mudada pela China” (Antonio Barros de Castro, 2011)?

Cfr. artigo de José Eustáquio Diniz Alves in EcoDebate.com.br

Consultar o artigo completo em https://www.ecodebate.com.br/2017/02/22/brasil-do-consumo-versus-china-do-investimento-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

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